Projeto Interlife, solidariedade e formação para transplantes renais no Quênia

Javier Tovar | BARCELONA/EFE/JAVIER TOVAR E GREGÓRIO DO ROSARIOLunes 28.10.2013

Ajudar países em desenvolvimento a partir dos conhecimentos, a experiência, os recursos e as técnicas de saúde que tem a Espanha é uma tarefa humanitária e solidária. Interlife é um bom exemplo. Os doutores Antonio Alcaraz, Federico Oppenheimer e Nuria Saval analisados em EFEsalud o transplante renal no Terceiro Mundo e explicam este projeto

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O doutor Frederico Oppenheimer, nefrólogo, é o Chefe da Unidade de Transplante Renal do Hospital Clinic de Barcelona; o doutor Antonio Alcaraz é o Chefe do Serviço de Urologia também do Clinic; e a doutora Manuela Saval é Medical Adviser da Unidade de Transplantes da Novartis.

Os três, junto a um time mais amplo, em que participaram o Hospital de Asd (Santander) e a Sociedade Portuguesa de Transplantação, junto com outros médicos, pessoal de enfermagem e farmácia, tornaram realidade o Projeto Interlife no Quênia, com o objetivo de formar os médicos do Hospital Nacional daquele país africano para que sejam autossuficientes em transplantes renais.

Interlife é um projeto de cinco anos, impulsionado pela Novartis, que começou em 2009. Já foram realizados 100 transplantes, alguns para crianças.

Os doutores Oppenheimer e Alcaraz, e a doutora Saval vieram para os debates “pequeno-Almoço de saúde. Conhecimento e bem-estar”, desta vez em Barcelona, organizados por EFEsalud em colaboração com a empresa farmacêutica Novartis.

Os transplantes renais no Terceiro Mundo

  • Dr. Oppenheimer, qual é a situação dos transplantes renais em países em desenvolvimento?

Doutor Frederico Oppenheimer: Estão a anos-luz de nós e muito pouco desenvolvidos, não de forma homogênea, mas resta muito caminho a percorrer.

O transplante renal é a melhor forma de tratar a insuficiência renal crônica, aqui e na África, mas é uma técnica que é muito caro, pouco acessível e pouco desenvolvida.

Existe a doação ao vivo e a doação de pessoas falecidas, mas só é desenvolvida a doação de vivo, mais simples, barata e acessível, mas ainda é cara, muito cara e pouco difundida.

E o tratamento com diálise é ainda mais caro que o transplante. A opção para estes pacientes em países em desenvolvimento, é aceder a um transplante de doador vivo.

Dr. Oppenheimer: Os recursos são escassos em pessoas, com poucos especialistas nefrólogos; a técnica de tratamento, há poucos pacientes tratados com diálise e menos transplantados.

A gente morre, às vezes, sem saber que têm insuficiência renal crônica, mas o mais dramático é que, sabendo qual é a doença e como se deve tratar não existem recursos financeiros para enfrentar o problema.

O papel de Portugal

  • Doutor Alcaraz, o que pode contribuir Portugal o desenvolvimento e a melhoria da saúde e dos transplantes renais nestes países?

Doutor Antonio Alcaraz: Portugal pode dar tudo, porque é líder mundial em transplantes, e em renal também.

Temos as melhores estatísticas e os profissionais com mais experiência para ser exportada para os países em desenvolvimento.

Os profissionais podemos usar nosso tempo, dedicação e conhecimento; e depois há outros recursos que podem contribuir via pública ou privada.

  • A colaboração entre a iniciativa pública e privada em saúde e saúde é fundamental?

Dr. Alcaraz: Nós temos que aproveitar os recursos que chegam e nos não importa se vêm de administração ou da esfera privada; a indústria privada está em plena evolução, e existem os programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e há que tê-los em conta e explorá-los.

  • Como se colhe está iniciativas do Terceiro Mundo?

Dr. Alcaraz: Há que ter habilidade para vencer seus receios; quando se dão conta de que o objetivo é colocar o seu tempo e conhecimento a seu serviço, então se abrem de forma completa e o acolhem muito bem.

O desafio em transplante renal

  • Qual é o desafio em transplante renal nos países em desenvolvimento?

Dr. Alcaraz: O desafio fundamental é econômico, e o segundo, que vai da mão do primeiro, é de formação. Quando chegamos ao Quênia, encontramos pessoas de grande potencial, mas sem conhecimento, e teve que formar os tanto na técnica cirúrgica, como no manejo dos pacientes, e tudo isso era impossível fazê-lo sem dinheiro.

E um dos resultados foi o de obter baratear o transplante a um décimo do custo de um país ocidental. Foi como fazer transplantes em Portugal há 15 anos, cujos resultados eram bons.

Dr. Oppenheimer: O transplante é a melhor forma de tratar a insuficiência renal crônica e o desafio é fazer com que todo paciente que chega a esta fase saiba que tem um transplante como primeira opção.

Nosso desafio como profissionais é motivar, formar e estimular os profissionais de lá para que sejam eles que desenvolvam técnicas e tratamentos.

O projeto Interlife

  • Doutora Saval, como chega a Novartis a impulsionar este projeto?

Doutora Manuela Saval: Parte das atividades da Novartis é a RSC, e um de seus pilares são os pacientes.

Interlife foi um programa a que se chegou através de uma série de conjunturas. Detectamos uma oportunidade no Quênia, onde havia pacientes em hemodiálise em condições precárias, com baixa esperança de vida. Nossa companheira Maria Sotomayor observou-se lá o problema e pensamos em organizar um programa de transplante renal para levar os doentes vida e qualidade de vida.

Em Portugal somos ponteiro do transplante, e conseguimos envolver os doutores Alcaraz e Oppenheimer. É um projeto de cinco anos que começou em 2009.

Dra Saval: É atípico, e muito ambicioso, mas nos lançamos porque Interlife traz soluções para pessoas muito carentes.

  • Como se pôs em marcha este projecto?

Dr. Alcaraz: através de uma iniciativa de quem tem um grande sonho e pretende transplantar no Quênia.

Nos convencem os dois, a minha, porque lá existiam transplantes comerciais e este programa é uma iniciativa para gerar um programa estável. Pareceu-Me um bom compromisso, não só para fazer uma viagem e vários transplantes, mas ensinar a pescar (ensinar a operar) e para que tivessem o seu próprio programa em cinco anos. E uma vez que nós desaparezcamos, que continue o programa porque eles sejam autossuficientes.

Graças a Interlife foram feitas 100 transplantes e é uma realização excelente; eles já têm uma boa formação.

Dr. Oppenheimer: Os resultados médicos são bons, quase como em Portugal, Muito melhores do que os que tinham antes. Nós devolvido a confiança dos próprios profissionais e temos ajudado a equipe.

Já não têm que sair fora de seu país; agora, a situação há que normalizarla e a nossa presença já não é imprescindível. Mesmo que tenham feito transplantes em crianças.

  • Como Este projeto pode se estender para outros países?

Dra Saval: A ideia é que os países podem beneficiar do aprendizado e da experiência adquirida e possam ser transplantadas lá, melhor do que fazer outros centros. A ideia é que Quênia seja um centro de referência para os países vizinhos.

Empatia e agradecimento

  • Como acolhem os pacientes e os profissionais deste projeto?

Dr. Alcaraz: Acho que ganhamos uma importante empatia, básica em uma relação humana. Ganhamos confiança, porque tínhamos de trazer, com generosidade. Nos tratam com carinho e respeito.

Eu voltei a sentir sensações de quando era médico residente, o agradecimento de quem não considera a saúde um bsoluto direito, de quem acha que está fazendo muito pelo. E a ilusão recuperada de crianças se a trazer e receber muito.

  • É complicado formar os médicos?

Dr. Oppenheimer: Não, têm uma grande capacidade de captar e aprender, de introduzir por imitação daquilo que lhes explicar. Há muito bons profissionais, que salientarão em Portugal.

E nós conseguimos adaptar as nossas técnicas para o terreno.

Experiência pessoal: um revulsivo

  • Doutores, qual é o aprendizado e a vivência de um ponto de vista pessoal?

Dr. Alcaraz: dá-Te mais do que aquilo que acabou dando. Seu recebimento é fantástico, como se fosse papai Noel , vêm a dar-lhe um abraço e transplantados e doadores. Há que ter a capacidade de trabalho, mas também de sonhar e mirar alto.

Dra Saval: Para mim, foi como voltar atrás, a base da medicina e de poder ajudar. Salvas vidas, e que, como o médico dá-te muito.

Dr. Oppenheimer: Tem sido uma força motriz, recuperar as emoções que sentiu de jovem, voltar a viver o novo, o incomum. Foi com grande satisfação que te tira da rotina. O maior revulsivo nos últimos anos.

Os debates “pequeno-Almoço de saúde. Conhecimento e bem-estar”, que contam com a colaboração de Interesse, terão uma nova edição nas próximas semanas, com o objetivo de fornecer informações para melhorar a saúde da sociedade.

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