Reprodução assistida: o bebê mais desejado

As técnicas de reprodução assistida aumentam quase 90% as chances de gravidez, de fato, metade dos casais consegue-o através da fertilização in vitro. A técnica avança e ajuda à ciência em seus propósitos, embora a idade da mulher corre contra

EFE/ Jeffrey Arguedas

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A sociedade atual, a incorporação da mulher ao mercado de trabalho fez com que se tenha atrasado a idade média em que os casais que tentam engravidar. “A idade máxima de reprodução para a mulher é de 20 a 25 anos, então eles começam a cair as possibilidades de gravidez; a queda mais forte, é a partir dos 35 anos e cai bruscamente a partir dos 40 anos”, afirma a doutora Elena Carrillo de Albornoz, chefe da Unidade de Reprodução Assistida do Hospital Ruber Internacional.

  • Quais são os principais problemas que têm os casais para não engravidar?

Classicamente, há 50 por cento de causas masculinas e femininas. O fator idade é um fator intrínseco em si, da mulher sobre tudo; aumentou o percentual de causas maternas, mas pelo fator idade absoluto.

Quando os casais de idosos procuram a gravidez têm que fazer duas coisas: primeiro, não esperar para esse ano que aconselhamos se não ficar grávida para consultar, mas esperar apenas seis meses, consultar um profissional e dirigir-se rapidamente para tentar encontrar uma solução para o tema.

  • Quais técnicas de reprodução assistida, existem e qual é a sua taxa de sucesso?

A inseminação consiste em preparar a amostra de sêmen para introduzi-la dentro do útero da mulher. Para isso, precisamos de uma amostra de sêmen apta para a inseminação e que as trompas estejam permeáveis, porque é onde vai se unir esse óvulo com o espermatozóide.

A taxa de gravidez é de 15% e fazemos um máximo de dois ou três ciclos de inseminação.

O outro grande grupo representa 75 – 80% das técnicas de reprodução assistida:

A fertilização in vitro , que consiste em estimular a ovulação da mulher para ter mais de um folículo; vamos fazendo controles de ultra-som e analíticos para ver que vão crescendo. Quando eles têm o tamanho adequado, com uma pequena sedação dos extraímos por via vaginal e deles extraímos o líquido folicular.

Esse líquido, as biólogas selecionam os óvulos que temos e os classificam. Pedimos ao homem a amostra de sêmen ou o esperma de um doador e no laboratório unimos os óvulos com os espermatozóides. No dia seguinte, nós temos embriões e, ao terceiro ou quinto dia passamos esses embriões dentro do útero. Nesse terceiro dia, podemos passar os embriões ou podemos biopsiarlos; nesse caso, no quinto dia escolheremos o embrião que esteja saudável.

Essa é a fertilização in vitro com ou sem diagnóstico genético preimplantatorio. A taxa de gravidez depende da idade, mas estamos em um 52% de média.

O outro processo é o da doação de óvulos. Faz-Se também através da fertilização in vitro, o que acontece é que os óvulos são de um doador jovem menor de 35 anos, são, normalmente, menores de 30 anos e a taxa de gravidez é de 63%.

  • Este processo envolve várias especialidades da medicina. Como é que se organiza?

O processo é dirigido pelo ginecologista, especialista em reprodução assistida. Fazemos o estudo básico do casal, tanto da mulher como do homem. No caso de que o homem encontrarmos alguma alteração que, fundamentalmente, é o estudo do sêmen, remetemos ao andrólogo; fazemos o estudo básico da mulher e dependendo do que vamos encontrando vemos se têm que participar de uma série de especialistas.

Uma vez que o processo estudado e recorreu-se aos especialistas que precise o caso, um papel fundamental é o do laboratório de reprodução, onde são processadas as amostras de sêmen e prepara-se o mesmo para as inseminaciones. O laboratório de fertilização in vitro recebe os gametas, óvulos após a extração e é onde se realiza todo o processo de microinyecciones de espermatozoides e tratamento de embriões.

Se tem que fazer esta biópsia embrionária se realiza no laboratório; é levada a cabo pela embriólogas, no nosso caso, biólogas especializadas em reprodução e que fazem possível que tenhamos esses embriões e se mantenham no melhor estado possível. Em seguida, será o obstetra que faça a transferência para o útero do melhor embrião que tenhamos podido obter em laboratório.

  • É possível evitar alterações genéticas com esses métodos?

Falamos do diagnóstico genético preimplantatorio, uma técnica que consiste em submeter o casal a um processo de fertilização in vitro; quando temos em laboratório e os embriões podem ser biopsiar, analisar uma ou duas células do embrião e detectar se tem alguma alteração cromossômica. Se já sabemos que essa dupla é portadora de alguma doença podemos ir buscar essa doença em particular, podemos fazer uma triagem (seleção) da dotação cromossômica esse embrião, mas quando vamos procurar algum tipo de doença de que é portadora a família, temos que ir buscar esse distúrbio específico.

O embrião que se detecte que está saudável, é o que se instaura a mulher. Se o teste sai positivo saberíamos que não é portador dessa doença.

  • Quais são os números de inscrição deste tipo de ajudas em nosso país?

Portugal tem um elevado grau de casais que solicitam essas técnicas de reprodução assistida. Temos um tipo de lei de reprodução muito permissiva e protetora com as doações de gametas quanto a que dá muita privacidade e protege juridicamente os pais receptores desses gametas. Vêm muitos casais de fora para solicitar técnicas de ovodonación e doação de sêmen.

  • Como os números de esterilidade são altas em Portugal?

Atualmente, estima-se que 15% dos casais em idade reprodutiva tem problemas de esterilidade e, embora cada vez mais se vê a percentagem de casais que chegam a consultar e a estar nas mãos do especialista, continua a ser baixa, em torno de 30% desses casais terminam os tratamentos. Nesse percurso há vezes em que se abandona, se sente um fracassado e não tem forças para continuar.

  • Nos recomenda, no caso de casais de mais idade, recorrer aos seis meses por especialista e não esperar um ano. Mas..quando formos realmente?

Normalmente, há dois tipos de casais que consultam: umas, as que acessam pela primeira vez e, normalmente, no meio em que nos encontramos são pacientes de nossas consultas gerais que vêm, porque não se consegue a gravidez; nesses casos, a verdade, não há muito tempo, porque é missão do ginecologista geral a informar as pacientes em revisão.

Há outros casais que vêm de fora e tiveram mais dificuldades para poder consultar e essas existem meias de três, quatro anos facilmente.

  • O e mulheres sem parceiro que querem abordar a maternidade sozinha?

Sim, cada vez há mais mulheres solteiras que vêem que não fazem um projeto familiar e reprodutivo e decidem enfrentar a maternidade sem par. O problema com este grupo é que, muitas vezes, esperam e esperam e vem à consulta com 40, 40 e tantos anos; são conscientes de que apenas o período reprodutivo, e decidem seguir o caminho sozinhas; aí temos o problema de que o relógio biológico vai contra elas.

  • Existe uma idade legal para recorrer em Portugal, as técnicas de reprodução assistida?

Não como tal, mas a lei diz que os gametas e embriões devem ser mantidas até o final da idade reprodutiva da mulher e, como tal, é considerada a menopausa, que na Espanha a média são os 50 anos. Por isso, de forma comum, sem estar escrito em lugar nenhum da grande maioria dos centros de reprodução de Portugal temos essa idade como limite máximo para dar suporte aos pacientes em programas de reprodução assistida.

.-Efesalud

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