“Respira Vida” contra a DPOC

DR. JULHO ANCOCHEA BERMÚDEZ / GREGORIO DO ROSÁRIO / DAVID TAMANHO | Gregorio Do RosarioMiércoles 15.11.2017

O que é a DPOC?

“É sempre uma pergunta difícil de responder se aderirmos ao seu conhecimento no seio da sociedade global. Em Portugal, apenas 17% da população saberia dizer que a DPOC significa Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e que a principal causa da doença está no hábito de cigarros fumados, responde para começar o epidemiologista J. B. Soriano.

É uma doença que consideramos cinderela, que é pouco atraente, que, historicamente, não tem contado com grandes avanços e tratamentos médicos, e que os mesmos pacientes consideram que é imposta por eles mesmos.

Quando me perguntam sobre a dpoc sempre me lembro da novela histórica “Sinuhé o egípcio“, do finlandês Mika Waltari.

Por este motivo, quando temos a oportunidade de falar de DPOC nos meios de comunicação, temos que reiterar a palavra… Dpoc, Dpoc, doenças pulmonares obstrutivas crónicas(…) com o fim de que a população tenha em conta esta doença tão prevalente e lhes tocar, ao menos, igual ou do mesmo nível que outras, como a aids ou doença de alzheimer”.

Quais são os sintomas de alerta da DPOC, especialmente em pacientes fumantes?

“Os sintomas da DPOC são insidiosos. Na maioria dos países é difícil um diagnóstico específico, mas é de se suspeitar diante de um paciente que apresenta tosse, expectoração crônica, que tem dificuldade de respirar -dispnéia-, ou que reflete dor torácica associada ao fumo do tabaco.

Estes sintomas indicam a oportunidade e a necessidade de realizar uma espirometria com prova broncodilatadora, estudo simples, fácil e eficaz, que confirma de forma objetiva, a existência de uma obstrução ao fluxo aéreo. A espirometria diagnosticar a DPOC e a sua gravidade em que o paciente”.

Qual é a prevalência da DPOC?

“Os números são avasalladoras. Em Portugal, é a quarta causa de morte após a doença coronariana, doença de alzheimer e acidente vascular cerebral. A quinta causa é o câncer de pulmão. Representa 7% das mortes, ou seja, a cada dez ou quinze minutos há uma morte por DPOC.

No último estudo disponível EPI-SCAN de 2007, os números já um pouco antigas, foi identificado que um 10,2 por cento da população é fumante e exfumadora em Portugal apresentavam dpoc, ou o que é o mesmo, 2,1 milhões de pessoas doentes, mais homens do que mulheres (1,5-0,5) e cerca de 73% delas ainda sem diagnóstico.

Em 2018, com o pôr-do-longo que implicará do estudo EPI-SCAN 2, muito mais profundo e analítico do que o atual, obteremos dados atualizados da DPOC em Portugal e em todas as suas regiões ou Comunidades Autónomas, algo muito novo no mundo”.

Quais são as comorbidades associadas à DPOC?

“O pulmão é o órgão humano mais resiliente -capacidade de superar traumas – e, em função do fumo do tabaco, o mais resistente. Os pacientes diagnosticados de DPOC, ou não, podem ter estado fumando 30, 40, 50 ou mais anos de sua vida e continuar vivos, sem sofrer, até mesmo, alguma outra doença, como uma leucemia aos trinta, um ataque cardíaco aos cinqüenta ou um câncer aos sessenta.

Em muitos casos, sobrevivem com uma função pulmonar em valores de 20% de sua capacidade total e, de fato, morrem com DPOC e não por doença pulmonar obstrutiva crônica. Este é um dos motivos para afirmar que a DPOC é o paradigma das doenças crônicas”.

O da mulher é mais suscetível a sofrer de DPOC pelo fumo do tabaco?

“Os estudos indicam que as mulheres podem desenvolver DPOC antes que os homens. Com uma menor exposição ao tabaco podem ter uma pior função pulmonar; têm menos tosse e menos tosse, mas talvez mais afogamento -dispneia-; costumam chegar mais tarde à consulta do médico; e, além disso, têm diferenças anatômicas, genéticas e hormonais que condicionam diferentes comorbidades associadas à DPOC.

Portanto, a igualdade de exposição para fumar, do número de pacotes de tabaco fumados, provavelmente, e após a menopausa, seja invalidado o fator de proteção do estrogênio. Têm maior risco de desenvolver dpoc e câncer de pulmão, bem como doenças cardiovasculares”.

Você fuma mais ou menos, depois de as leis antitabagismo 2006 e 2011?

“Nunca podemos baixar a guarda em relação ao tabagismo e ainda menos quando fumam mais de 10 milhões de pessoas em Portugal, cerca de 26% da população. Os homens fumam mais que as mulheres (29% 22%).

Na adolescência e na infância fumam mais as meninas que os meninos. Na forquilha, de 15 a 19 anos (9%-8%); na de 10 a 15 anos (4,5%-2,5%)… é uma situação verdadeiramente preocupante, especialmente quando uma criança é levada pela primeira vez um cigarro à boca.

As Leis antifumo, que são muito boas, limitaram com excelência o tabagismo passivo, o que os não-fumantes estamos expostos. No entanto, as novas evidências científicas recomendam que tenhamos que rever e endurecer as regras sobre atuais”.

E que comentário lhe merece o cigarro eletrônico?

“O cigarro eletrônico é uma aposta da indústria de tabaco como substituição para a combustão do cigarro clássico. Por exemplo, a multinacional Philip Morris acaba de lançar um instituto chamado “Fundação para um mundo livre de fumaça”, o que me suscribiría sem hesitação sob a outros condicionantes, e cujo objetivo é eliminar o tabaco no mundo no ano de 2050.

Colocou mil milhões de dólares para pesquisa, durante os próximos 11 anos, mas volta a ser uma estratégia de marketing baseada na confusão, como já fez com a indústria do tabaco no século XX, com o chamado “Instituto do Tabaco”, cujos resultados foram absurdos e só confundiram os médicos e muito mais para a população em seu conjunto.

A ‘Fundação para um mundo livre de fumo’ é mais do mesmo“.

Você poderia lançar um mensagem para o Dia Mundial da DPOC?

“A Cada ano, a OMS e GOLD (Iniciativa Global para a DPOC), além de outros projetos em favor de respirar ar puro, livre da fumaça de cigarros fumados, lembram-nos que há que lutar contra a DPOC sem descanso. Este ano, o fazem sob o lema “As muitas faces da DPOC”.

Quando eu estudei Medicina me disseram que a DPOC se identificava, principalmente, com a seguinte tríade: homem, mais de 65 anos e fumante.

Agora, devido a essas várias faces da dpoc, está feminizando (maior taxa de mulheres que sofrem e morrem pela dpoc) e rejuvenescer (Em Portugal, metade dos pacientes têm menos de 65 anos e estão em idade de trabalho).

Antes falávamos da dpoc por enfisema crônico ou por bronquite crónica (ventilador cor-de-rosa ou abotargado -inchado – azul)… hoje temos mais fenótipos de dpoc (metabólico, com síndrome cardiovascular, osteoporose, etc.).

Em suma, que o tratamento da dpoc se pode individualizar, com a broncodilatación dualcomo ferramenta fundamental do tratamento, para que os pacientes possam viver mais e com melhor qualidade de vida, chegando a morrer com dpoc e não pela dpoc”, conclui suas respostas o doutor Joan B. Soriano, pesquisador, epidemiologista e especialista em Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.

Para o doutor Ancochea, médico galego de nascimento e convicção, “o sistema de saúde no seu conjunto tem ainda um longo caminho a percorrer, sobretudo no campo do diagnóstico com espirometria de qualidade nos centros de atenção primária”.

“Temos que trabalhar a gestão por processos integrados, tanto da DPOC estável como a DPOC exacerbado. O que implica uma continuidade em vários cuidados aos pacientes e a coordenação entre atenção primária e especializada, sempre agradável”, destaca.

“Temos que melhorar o atendimento a domicílio e a aplicação de novas tecnologias, incluindo a telemedicina, por subgrupos específicos de pacientes; temos que potenciar a colaboração pública com a empresa privada, e colocar a ênfase na parte sócio-sanitária”, continua.

“Temos que promover a investigação e a inovação na gestão integral dos pacientes… precisamos que esses pacientes estejam comprometidos; que seja um paciente ativo, um paciente que recupere suas competências e habilidades em saúde”, afirma.

“Para tudo isso, a qualidade assistencial é fundamental. Temos GESEPOC (Guia Espanhola da DPOC) ou a estratégia GOLD, mas devemos estabelecer melhores indicadores… medir, medir e medir estruturas, processos e resultados”, insiste.

“Este é o propósito fundamental da Cátedra UAM-GSK… converter-se em realidade todos esses objetivos. A Professora quer dar mais vida à vida dos pacientes com DPOC… e procura com afinco que os doentes respiratórios crónicos voltem a respirar com vida”, expõe o doutor Julho Ancochea Bermúdez.

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