“Respira Vida” contra a tuberculose

DR. JULHO ANCOCHEA BERMÚDEZ / GREGORIO DO ROSÁRIO | Gregorio Do RosarioMartes 07.03.2017

O foco da tuberculose, com mais de 10 milhões de casos em 2016, está posto especialmente em 30 países, 61% da Ásia, como a Índia, Paquistão e Indonésia, e 26% da África, como a Nigéria ou na África do sul. Somam 87% de todas as infecções e a maioria das mortes.

Em 2015 morreram 1,8 milhões de pessoas, dos quais 0,4 estavam infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, o que enfraquece o nosso sistema imunológico até 30 vezes mais do que a tuberculose. Em 6% dos casos afetou a população infantil. Um milhão de meninos e meninas estavam contagiados e a morte levou 210.000 deles (40.000 com HIV).

E qual é a situação epidemiológica de Portugal?, “um país rico”, ressalta o doutor Ancochea.

“Cerca de 5.500 casos em 2015 (2.200 em mulheres e 3.300 homens). Mas é uma queda significativa continuamos a ter alguns números de tuberculose superiores aos países de nosso entorno econômico, geográfico, cultural e social”, destaca o doutor García Pérez.

A taxa passou de 1,5 por cada 100.000 habitantes no ano de 2.000 a 0,5 em 2014, de acordo com os dados que facilita a OMS (na Venezuela 2,3 e na Argentina 1,6).

A tuberculose está no “top ten” das doenças mais devastadoras, e é por isso que o objetivo da Organização Mundial de Saúde é pôr fim a esta pandemia, reduzindo sua taxa de incidência de 90% e o número de mortes em 95% antes do ano de 2035.

E com motivo do Dia Mundial da doença, a cada 24 de março, em homenagem ao bacteriologista Robert Koch, descobridor do Mycobacterium Tuberculosis em 1882, a OMS expõe o seu novo lema para este ano: “Unidos para pôr fim à tuberculose”.

A tuberculose, que prejudica principalmente os pulmões, é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas que se espantam ao tossir, espirrar e quando é estranho me cuspiam, às vezes sanguinolentos.

Os sintomas que descreve o doutor García Pérez, também presidente da Área de Tuberculose e Infecção Respiratória da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR): “Sospecharemos tuberculose, quando o paciente, sem causa aparente, leva tossindo mais de duas ou três semanas”.

“Se, além disso, acompanha-se de febre, inapetência, perda de peso ou outra sintomatologia indicativa -continua -, teremos uma radiografia de tórax e detectaremos, se for o caso, a mycobacterium”.

E como se trata desta doença?, pergunta o neumoperiodista.

“Com paciência, por mais de seis meses, e com uma combinação de medicamentos, antibióticos. O paciente desenvolve uma vida normal em poucas semanas”, responde o especialista em tuberculose.

Então?- questiona Ancochea – por que é necessário um plano a nível nacional contra a tuberculose? Por que são necessárias entidades como http://www.redtbs.org a Rede contra a Tuberculose e a Solidariedade?

“O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância da tuberculose. Temos algumas taxas da doença apreciáveis e é hora de unir todos os esforços, encabeçados pelo Ministério da Saúde, para lutar contra este flagelo social”, diz o doutor García Pérez.

Desde FENAER, Javier Palicio assinala que “a Administração deve colocar mais ênfase a estes a doença e os tratamentos curativos, já que grande parte das vítimas são pessoas em exclusão social (por exemplo, imigrantes sem papéis) que precisam de medicamentos de forma gratuita, tanto para recuperar a sua saúde como para evitar o contágio de outras pessoas”.

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