“Respira Vida” contra o câncer de pulmão

DR. JULHO ANCOCHEA BERMÚDEZ / GREGORIO DO ROSÁRIO / DAVID TAMANHO | Gregorio Do RosarioJueves 21.12.2017

Como se aborda o manejo dos pacientes com câncer de pulmão?

“Através de equipas multidisciplinares (pneumologista, pneumologista intervencionista, cirurgião torácico, radiologista, médico oncologista, oncologista radioterapeuta, especialistas em anatomia patológica, enfermagem oncológica, cuidados paliativos ou de assistência social)… e todos com os testes de diagnóstico sobre a mesa, tem que dar o melhor de si mesmos na hora de tomar decisões, e quanto antes, o comitê de tumores”, diz o doutor Aspa Quadro.

“Uma vez que o paciente foi avaliado, se passa para a fase de intervenção cirúrgica, conheceremos o paciente na consulta de cirurgia torácica e completaremos o seu histórico com as provas que possam ser pertinentes a esta fase, com o fim de verificar a sua função pulmonar e explicar os detalhes da cirurgia. Devemos manter uma relação harmoniosa e de confiança com o paciente de câncer de pulmão”, acrescenta o dr. Moreno Balsalobre.

Qual é o desafio da detecção precoce do câncer de pulmão?

“Para qualquer sistema nacional de Saúde, o rastreio representa um desafio diagnóstico de primeira ordem, uma vez que, ao contrário do que ocorre no câncer de mama, onde o ‘screening’ efectua-se com base na população feminina, o câncer de pulmão é escolher uma parte da população é fumante, o que faz com que se possa escapar algum outro paciente com câncer não fumante”, adverte o médico Aspa.

“Apesar de sermos capazes de detectar nódulos muito pequenos, a maioria deles de origem benigna, temos que estabelecer protocolos melhores e mais ajustados para poder agir, geralmente em cirurgia, sem o risco de operar a pessoas com nódulos de natureza benigna”, indica.

“Anatomia patológica prevê que cerca de 20% dos nódulos retirados não são cancerígenos, por isso que devemos ter em conta estes dados para melhorar os protocolos em diferentes hospitais que oferecem estes serviços de triagem”, completa.

“O problema do ‘screening’ está na seleção da população a quem se deve praticar a teste de diagnóstico. A cirurgia, principalmente em pessoas frágeis de saúde e pacientes de idade avançada, implica sempre um trauma físico, embora não seja de grande tamanho, como no passado”, diz o doutor Moreno Balsalobre.

“Seria muito conveniente depurar ao máximo o número de candidatos de câncer de pulmão passar pela sala de cirurgia, já que produz menos falsos positivos pós-cirúrgicos e podemos ajudar os pacientes a não ter que sofrer cirurgias mais ou menos agressivas”, concreta.

Que papel joga a radioterapia estereotáctica no câncer de pulmão?

A radioterapia estereotáctica no corpo (SBRT) aplica-se sobre tumores muito pequenos. A radiação, em menos vezes, mas em altas doses, dirige-se, de forma precisa, contra as neoplasias malignas, o que ajuda a preservar o tecido saudável.

“Para os pacientes representa um avanço extraordinário, já que os cirurgiões torácicas temos que enfrentar a intervenções cirúrgicas em pacientes com um estado físico delicado; até mesmo enfrentar a decisão de não operar em certos doentes com função pulmonar muito diminuída”, ressalta o doutor Ramón Moreno.

E como está funcionando a imunoterapia oncológica?

“Há dez anos estamos assistindo a uma revolução na oncologia moderna -atesta o doutor Aspa Quadro-, em que se podem estabelecer alvos moleculares tratáveis em certos tipos de cancro, como o melanoma, rim, próstata, linfoma de Hodgkin -tecido linfático – ou pulmão, que melhoram em grande medida para a sua sobrevivência”.

Estas terapias potencializam o sistema imunológico do paciente para que lute contra o câncer.

Por exemplo, com pembrolizumab melhoram os resultados da quimioterapia no tratamento em pacientes com câncer de pulmão avançado.

“Aqueles pacientes que têm um tratamento de imunoterapia, que age principalmente sobre PD-L1 demonstram resultados promissores, embora se abrem novas vias de investigação, já que se ativam os linfócitos que atacam o tumor”, diz.

Quando o PD-1 é uma outra proteína chamada PD-L1, ajuda a evitar que as células T destruam outras células, como as cancerosas. Se falha esta proteína (PD-1), o sistema imunitário ativa as células T para destruir as células malignas.

“Podem ocorrer fenômenos de auto-imunidade, uma espécie de reação do enxerto contra hospedeiro, como os transplantes de medula óssea. Temos que avançar sem pressa mas sem pausa e minimizar os efeitos colaterais. Os tratamentos têm que ser mais benéficas do que prejudiciais… no entanto, estamos muito esperançosos com a imunoterapia”, ressalta o doutor Francisco Javier Aspa Quadro.

O que nos espera no câncer de pulmão com a cirurgia minimamente invasiva e robótica?

“As mudanças são enormes -quase espeta o doutor Moreno-. Com uma, duas ou três incisões mínimas no corpo operamos igual que com a cirurgia aberta. O trauma, portanto, é leve, imperceptível. O paciente recupera a sua vida diária, muito em breve, quando também reduzir os tempos pós-operatório”.

“Além disso, há menos gastos hospitalares, menos de analgésico para as dores e dores, e você pode receber tratamento oncológico complementar, como quimioterapia, com melhores garantias em sua saúde geral, situação que não se dava com cirurgia maior”, expõe.

“É uma realidade inegável que o câncer de pulmão é uma doença que coloca uma série de problemas realmente difíceis ao sistema de saúde, os profissionais e os pacientes”, fixa o pneumologista chefe Da Princesa.

“Muitos de nossos pacientes têm idades avançadas e transita pela vida com uma carga importante de incerteza e medo; confrontados com um processo clínico complexo que envolve, além disso, tempos prolongados de estudos analíticos e tratamentos”.

“Desde a cátedra GSK da Universidade Autónoma de Madrid (UAM), e do efesalud.com queremos que os pacientes de câncer de pulmão Exalam Vida neste Natal e que venham, que não são poucas”.

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