Ressuscitação cardiopulmonar: voltar a nascer

Cerca de 30.000 pessoas morrem a cada ano em Portugal, de parada cardíaca. Menos de 10% dos espanhóis conheça as manobras de ressuscitação cardiopulmonar; uma simples técnica que pode triplicar a sobrevivência. Cada minuto que passa, as chances de sobreviver perdem 10%

EFE/EPA/DPA/FEDERICO GAMBARINI

Sexta-feira 31.10.2014

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Segunda-feira, 04.03.2013

Quinta-feira 24.01.2013

A imensa maioria das pessoas com uma parada cardíaca em Portugal não chegam com vida ao hospital. A Cada 20 minutos, alguém sofre uma parada cardíaca em nosso país, mas apenas um em cada cinco tem a sorte de encontrar uma testemunha que ele pratique estas técnicas.

As manobras de ressuscitação cardiopulmonar pode duplicar e até triplicar a sobrevivência de uma figura, a de 30 000 mortos por ano, o que é dez vezes superior à dos acidentes de trânsito.

O doutor Ignacio Fernández Lozano é cardiologista, porta-voz do presidente do Conselho Português de Reanimação Cardiopulmonar. Com ele conhecemos a técnica e analisamos o porquê desta situação no nosso país.

Se têm que “conjugar muitos astros” para que uma pessoa em parada cardiorespiratoria se ponha com alguém que saiba realizar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar.

É excepcional. A paragem cardíaca em Portugal, com 30.000 mortes por ano, tem uma possibilidade de sobrevivência de 5%. Em outros países, com programas de implantação de acesso à desfibrilação, de ensino das técnicas básicas de ressuscitação é de 15% até 30%. Se o pudéssemos fazer em Portugal podemos estar salvando a 7.500 espanhóis a cada ano.

A gente formada aqui, estimamos que está em torno de 10%, com o qual é muito mais baixo do que outros países de nosso entorno. Sobreviver 5% é um milagre, você tem que ter muita sorte.

O cérebro, em grandes surtos, sobrevive 20% no pior cenário, e falamos de uma doença que tem sido bastante divulgada nos meios de comunicação. Neste surto morreram 4000 pessoas, são muitas, mas em Espanha, de morte súbita morrem 30.000 cada ano. É como um fantasma que não o vemos; às vezes nem vem à consulta, não estão nas urgências porque morrem antes e vai para o Anatômico Forense, nem sequer vai às urgências.

Por que não estamos conscientes disto?, Como temos assumido como um acidente?

Os médicos comunicamos mal, não conseguimos convencer nem para as autoridades de saúde, nem para a população da importância. Dizes acidente. Em Portugal, há dez anos, tínhamos 9.000 mortos por acidentes de trânsito; hoje em dia, morrem menos de 3.000 porque o país tem sido capaz de investir, de ter consciência, de fazer campanhas de publicidade, por vezes, agressivas, ter melhores estradas, radares fixos, móveis, guarda civil, a carteira por pontos… a soma de todas essas coisas fizeram com que a história dos acidentes de viação em Espanha seja uma história de sucesso; cada vez há menos mortes.

De morte súbita não temos sido capazes de fazer nada significativo. Trabalhamos muitos em fazer isso, mas fazemos muito poquitas coisas. É o momento de que os médicos expressar com crueza da verdade dos números. Temos que conscientizar a população de que isso é um problema muito importante, de que o primeiro intervenientes diante de uma parada cardíaca com manobras simples pode salvar muitas vidas. Deve ser fácil ter acesso à desfibrilação, os aparelhos eletrônicos que estão em outros países por todas as partes e em Portugal temos sete vezes menos do que em França, cinqüenta vezes menos do que no Japão, e isso é um trabalho de todos: da sociedade, médicos, autoridades, da imprensa, de todos.

Estamos começando campanhas para que se ensine técnicas dos colégios, mas falta-nos empurre, apoio das autoridades para que seja cada vez mais obrigatório, o mais reconhecido e mais oficial e sobre tudo mais homogêneo em todo o Estado.

A primeira coisa que temos que aprender é reconhecer uma situação deste tipo. Quais são as chaves?

Não é difícil. Diante de uma pessoa que cai no chão e não responde a estímulos verbais, ou com pequenos movimentos ou pequenos estímulos dolorosos, você tem que agir como se fosse uma parada cardíaca.

Como devemos agir, uma vez identificado o problema?

Temos que fazer quatro elos da cadeia de sobrevivência:

  1. O mais importante, avisar o 112 e ser muito claro: onde estamos e informar de que estamos diante de uma pessoa inconsciente, que tem uma parada cardíaca. 112 á um protocolo de actuação rápido, porque sabe que o tempo é essencial; as chances de sobreviver a uma parada cardíaca perdem 10% a cada minuto. Algo temos que fazer, porque se não essa pessoa morre.
  2. Segundo passo, dar uma massagem cardíaca. De barriga para cima, em posição horizontal, nós descobrimos o peito e comprimimos o esterno, no centro do tórax até a parte inferior do esterno com a palma das duas mãos. Deve ser uma compressão forte para afundar o peito cinco centímetros, a um ritmo rápido de cem batimentos por minuto.EFE/CHEMA MOYA
  3. O terceiro passo é procurar um desfibrilador, que nos tragam; não devemos parar as compressões em nenhum momento. São aparelhos muito simples de usar, vem em umas caixas com dois patches e uns cabos conectados. Há que dar a um botão, com isso, a máquina reconhece o ritmo que tem o paciente e os dispositivos nos dar instruções por voz.
  4. O quarto é um elo profissional a cargo das enfermeiras e médicos.
E as respirações?

A sopro de ar é algo que, para as pessoas que não são profissionais da saúde não é recomendado. Com a constituição do seu tórax, o ar se move o suficiente nos pulmões para manter a oxigenação e isso evita essa relutância que podemos ter em fazer o boca-a-boca a um desconhecido.

O Conselho Português de Ressuscitação Cardiopulmonar (CERCP) realizou um decálogo. Qual é o objetivo?

Resume algumas performances que gostaríamos de fazer:

É fundamental a educação. Gostaríamos que a reanimação cardiovascular fosse obrigatório no ensino primário e secundário e que são refrescara nas universidades.

Também chegar à população adulta; uma idéia é pedir obrigatório fazer um curso de reanimação ao renovar a carteira de motorista. Pode ser impopular, mas a longo prazo vai salvar a vida de muitos espanhóis.

Queremos que se promova e facilite a implantação de desfibriladores externos automáticos em nossas cidades e queremos que você se unifica a legislação. Temos quinze decretos para regular o uso de desfibriladores externos em diferentes comunidade autónomas e às vezes não são homogêneos.

Por exemplo, no Brasil temos uma lei muito eficaz na luta contra o fogo. Os bombeiros fizeram um trabalho muito melhor do que os médicos, são calado muito melhor sobre a sociedade e os políticos. Vemos por toda a Espanha, mangueiras, detectores de fumaça, extintores de incêndio, hidrantes… e temos menos de 300 mortos por ano em nosso país pelo fogo. Temos 30.000 parada cardiorespiratoria.

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