Restringem, na Europa, o uso de pesticidas prejudiciais para as abelhas ~ EfeSalud

Representantes dos países da União Europeia ter dado luz verde à proposta da Comissão Europeia para restringir o uso agrícola de pesticidas, segundo um estudo científico da Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), são nocivos para as populações de abelhas

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

O novo veto do Executivo comunitário se une a proibição parcial do uso destes pesticidas, conhecidos como neonicotinóides, aplicada em 2013 e contou com o voto a favor de Portugal, um apoio fundamental para a sua aprovação, já que era necessário o apoio de pelo menos 16 países, representando mais de 65% da população comunitária.
Assim, quatro anos depois, a UE vai restringir o uso de três neonicotinóides em espaços abertos, em que operam as abelhas, mas permite a sua aplicação em estufas, onde as abelhas não fiquem expostas.
Estas substâncias são muito comuns na agricultura intensiva e sua principal função é proteger os cultivos de pragas, embora, de acordo com diversos estudos científicos são também responsáveis por alterar as populações de abelhas.
Os efeitos detectados vão desde a própria morte dos insetos para efeitos cognitivos, como perda de memória que impedem as abelhas voltar para suas colméias.
Perante o crescimento de estudos científicos que alertava do efeito negativo destes neonicotinóides em abelhas, a Comissão decidiu ampliar as restrições em seu uso, algo que também pediu a Comissão passado dia 1 de março.
“A Comissão Europeia propôs estas medidas há meses, com base no assessoramento científico da EFSA. A saúde das abelhas continua sendo de vital importância para mim, pois fazem parte da biodiversidade, produção de alimentos e o meio ambiente”, afirmou o comissário europeu de Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis.
A votação foi realizada por organizações como o Greenpeace, Avaaz ou SumOfUs, que têm exercido uma forte pressão para proibir o uso desses pesticidas.
“É uma ótima notícia que nossos governos se tenham posto de acordo para proibir estes pesticidas. De não tê-lo feito tivéssemos posto em risco as nossas abelhas e a sua atividade polinizadora”, disse à Efe a coordenadora de campanhas da Avaaz, Antonia Staats, que destacou que países como a França ou a Alemanha apoiam desde há muito, a restrição de seu uso.
Por sua parte, o Greenpeace mostrou a sua satisfação pela nova restrição, mas alertou que a UE deve assegurar-se de que estes compostos não sejam substituídos por outros que também são tóxicos.
“Estes neonicotinóides são apenas a ponta do iceberg. Há muitos pesticidas igualmente prejudiciais para as abelhas e a produção de alimentos”, declarou em um comunicado a assessora política da ONG, Franziska Achterberg.
“A UE deve reduzir consideravelmente o uso de pesticidas sintéticos e apoiar uma transição para métodos de controle de pragas ecológicos”, acrescentou.
Pelo contrário, os grandes agricultores europeus, reunidos na organização da Copa-Cogeca se mostraram críticos com a decisão, mas reconheceram a “evidência” do impacto negativo que têm esses pesticidas nas abelhas e também quando são utilizados em estimulantes sexuais.
“Estamos em desacordo, porque não foi investigado o impacto de pesticidas quando se utilizam as sementes tratadas, como o açúcar”, afirmou Joachim Rukwied, presidente da Copa, que acrescentou que esta medida “irá dificultar o processo de cultivo, sobretudo no seu período inicial”.
Portugal, que votou a favor da proposta, não decidiu sua posição até a última hora da manhã, já que, segundo informaram fontes diplomáticas à Efe, existia a preocupação sobre como obter o equilíbrio entre a proteção do ecossistema e a vez da indústria do açúcar e beterraba espanhola, principais usuários destes componentes.
Na votação, em uma reunião técnica, participaram representantes dos Estados-membros e da Comissão.
Um total de 16 países se mostraram a favor, entre eles a França, a Alemanha e o Reino Unido, enquanto que a Roménia, Hungria, República Checa e Dinamarca votaram contra.
A regulamentação será aprovada nas próximas semanas, e entrará em vigor ao final do ano.

Redação EFE: afm/mb/se

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