Risco zero de transmissão do HIV de portadores de hiv com casais gays

O risco de transmissão do HIV por parte de pessoas seropositivas em tratamento e com carga viral indetectável em casais gays “é zero”, tal como foi confirmado por um estudo europeu, elaborado durante oito anos depois de seguir a quase um milhar de homossexuais casais serodiscordantes de catorze países

EFE/Sanjeev Gupta

Quinta-feira 19.07.2018

Segunda-feira 14.05.2018

Quarta-feira 11.04.2018

O estudo, denominado ‘Partner-2’, apresentaram hoje, em Barcelona, os responsáveis BCN Checkpoint, o terceiro centro de detecção de HIV e outras doenças de transmissão sexual (ITS) de toda a Europa que mais casais contribuiu para este estudo, e o primeiro lugar no conjunto de Espanha.

Segundo afirmou hoje, em conferência de imprensa o diretor do BCN Checkpoint, Ferran Pujol, os dados do estudo ‘Partner-2’ confirmaram “de forma definitiva” que as pessoas com HIV, que seguem o tratamento anti-retroviral e que têm uma carga viral indetectável “é impossível” que transmitam o vírus para seus parceiros.

Pujol detalhou que a carga viral indetectável do vírus é alcançada quando o paciente leva em tratamento cerca de dois ou três meses.

Ferran Pujol assinalou que “ter a evidência científica de que as pessoas com HIV continuam tratamento não transmitem o vírus a seus parceiros sexuais, mesmo que não usem camisinha, é um fato de enorme relevância a nível de saúde pública porque confirma o elevado potencial preventivo de anti-retrovirais”.

“Sabíamos que isso ocorria no caso de relações heterossexuais, mas havia um certo debate sobre se isso era aplicável, também, os homossexuais, e agora está provado categoricamente que sim”, acrescentou.

Assim, este estudo foi realizado em 75 centros europeus e centrou-se em casais que não usam preservativo durante as relações sexuais e em que a pessoa com HIV está em tratamento com uma carga indetectável.

Este segundo estudo de observação, que se começou a elaborar o ano de 2014 e foi alongado até 2018, contabilizou o total de atos sexuais com penetração anal e sem camisinha de um total de 783 casais serodiscordantes, ou seja, uma dupla formada por um membro infectado com o vírus e o outro não, de uma média de 38 anos.

O procedimento do estudo consistiu em uma visita aos centros médicos a cada seis ou doze meses, em que a pessoa, sem que o vírus se lhe submetia-se um teste rápido, “pelo que sai da consulta já com o resultado”, e na pessoa com VIH se comprovasse que a carga viral for indetectável.

Além disso, o casal teve que responder a um questionário sobre sua atividade sexual, assim como não se tinha alguma outra doença de transmissão sexual (ITS).

“No caso de ter ocorrido uma infecção, foi realizado um estudo filogenético do vírus para saber se a fonte de origem era a mesma que a do vírus de seu parceiro”, explicou o responsável médico do BCN Checkpoint, Pep Coll.

Deste modo, durante o estudo houve 77.000 atos sexuais, o que significou uma média de 43 relações sexuais por casal por ano, são detalhado.

Os especialistas observaram que durante o estudo foi diagnosticada, em 23% dos casos, que um membro do casal tinha tido uma doença de transmissão sexual (ITS), e, mesmo assim, “verificou-se que não era um fator de risco”, são a negrito.

Além disso, durante o processo 32% dos casais disseram que tinham relações fora do casal.

Os especialistas destacaram que durante o tempo que durou o estudo, foram produzidos um total de quinze infecções, embora mediante o estudo filogenético “demonstrou-se que todas as infecções ocorreram fruto de relações fora do casal”.

O presidente do Projeto NOMS-Hispanosida, Michael Meulbroek, lamentou que o HIV”, carrega um estigma social baseado no medo das pessoas a ter relações sexuais e sociais com pessoas com HIV”.

Além disso, Pujol criticou que “apesar da evidência” e os resultados deste e de outros estudos anteriores, como o ‘Partner-1’, “muitas vezes questionaram e nós descobrimos que muitos médicos não foram capazes de informar aos seus pacientes e ajudá-los a ter relações sexuais normalizadas”.

A conferência de imprensa que também participou Jordi San José, um homem com HIV e cujo parceiro não está infectada, que espera que “a nível social mudam muitas coisas” e que “estes resultados permitem perder o medo”.

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