Riscos psicossociais, disciplina pendente em saúde do trabalho

Infografia realizada por Miriam Monteiro para Efesalud.com

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Depois de 20 anos com a Lei de Prevenção de Riscos Laborais em marcha, a doutora em Psicologia pela Universidade Complutense de Madrid, Imaculada Lopes, especialista em psicologia diferencial e do trabalho, faz um balanço de sua eficácia nas empresas.

As empresas não têm grandes problemas para aprovar em matéria de saúde no trabalho nos aspectos físicos, ambientais e de segurança, mas flojean em seções como o risco psicossocial; no entanto, a tendência para criar um clima saudável é uma das estratégias que, pouco a pouco, se vão implementando em muitas empresas, buscando melhores avaliações dos índices de reputação e na avaliação interna de seus próprios empregados.

Imaculada Lopes assegura que as últimas pesquisas sobre gestão de riscos laborais -a nível europeu – revelam que mais de 80% dos empresários estão preocupados, quase por igual, a dificuldade que têm para gerir as suas tarefas, como a falta de apoio social, com o que contam em seu ambiente de trabalho, ou seja, o bem que se sentem os trabalhadores.

Como consequência, o stress relacionado com o trabalho, diz este especialista, “se coloca como o segundo problema de saúde mais frequente na Europa relacionado com o trabalho”, uma alteração que custa cerca de 136.000 milhões de euros por ano.

A lei em profundidade

Graças à Lei de Prevenção de Riscos Laborais está produzindo uma mudança conceitual e cultural, de facto, incluiu pela primeira vez o termo “risco psicossocial“.

Os principais avanços da lei são:

  • Antes contava com leis de abordagem reagente: agiram quando ocorreu o acidente de trabalho.
  • Agora são de abordagem preventiva, analisados e minimizados os riscos existentes nos locais de trabalho, com o objetivo de evitar que afetem tanto para a segurança e saúde do trabalhador.
  • Estabeleceu-se uma maior conscientização da população que já tem assumida a importância da prevenção, tanto a nível empresarial, sindical e, em geral, na sociedade.

A especialista em psicologia diferencial e do trabalho assegura que cada vez se fala mais sobre a saúde física, mental e organizacional das empresas.

Segundo López, a palavra-chave deste “paraíso”, a que aspiram, como meta das empresas em seu funcionamento interno, consiste na implementação de uma série de estratégias no âmbito dos recursos humanos, com o fim de permitir o desenvolvimento profissional e pessoal do trabalhador.

É claro que os benefícios, além disso, repercutem nas próprias organizações: “Se aumenta o compromisso, o desempenho, a produtividade e diminuem as taxas de abandono, a rotação do pessoal e o absentismo”, enumera a psicóloga.

Suporte social, fundamental para a melhoria do ambiente de negócios

Imaculada López remonta aos anos 90 para lembrar a figura do chefe triunfante: “Uma pessoa com uma personalidade agressiva e hostil em negócios que não tinha limites entre sua vida profissional e pessoal”.

A dia de hoje valoriza-se mais a outro tipo de factores como “o suporte, a flexibilidade de horários ou a consecução de objetivos, porque não se consegue um melhor desempenho por mais horas passadas sentado em uma cadeira”.

Os principais riscos que provocam a insatisfação de trabalho estão diretamente relacionados com:

  • As características, ritmo e a quantidade de tarefas a desempenhar: ansiedade, movimentos, palpitações, tonturas, insônia, preocupações…
  • A falta de apoio social: Falta de reconhecimento, frustração, decepção, tristeza, diminuição da auto-estima…

Neste último aspecto, López ênfase, já que é um fator que pode vir a ser muito mais estressante do que a própria dificuldade para realizar uma tarefa.

“Não se trata apenas de avaliar o que está errado e corrigi-lo; há que identificar as potencialidades e aspectos positivos dos trabalhadores e potencializá-los”, salienta.

Gestão do stress

Quando a empresa não tem uma estratégia de saúde no trabalho, em sua missão, valores e objetivos, é o próprio trabalhador quem tem que gerir o seu stress nesse ambiente.

Às vezes, quando alguém atinge níveis de stress elevados, pode chegar a ter transtornos de ansiedade e até mesmo depressão, destaca.

O “síndrome de Burnout” (estar queimado todo o dia), além dos sofrimentos que se dá em pessoas que se dedicam ao campo da educação, da saúde e das forças e corpos de segurança.

A isso se soma um fenômeno relativamente recente, que se vai enraizando na vida de trabalho, a dificuldade de se desligar do trabalho, no tempo livre, por causa dos celulares, os computadores e a Internet.

Isto tem facilitado a chegada do escritório para casa, e representa aspectos positivos de conforto e eficiência, mas que também se tornou um risco emergente: “você Tem que saber colocar limites a essa disponibilidade, pois passamos a estar conectados durante as 24 horas dos 7 dias da semana”, alerta esta especializada.

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